Conferência de comissão: como achar o que a seguradora pagou a menos

Por que corretora confere comissão por amostragem, onde a diferença costuma se esconder e como montar uma conferência parcela a parcela que cabe na rotina.

Por Gustavo Andrade · fundador do SEGGEST · · 4 min de leitura

Conferência de comissão é a checagem, parcela a parcela, entre o que a corretora tinha a receber por uma apólice e o que a seguradora efetivamente pagou. É um trabalho de bater duas listas — e é justamente por ser um trabalho de bater duas listas que quase ninguém faz por inteiro.

O que acontece na prática tem nome: conferência por amostragem. Chega o extrato, alguém olha as primeiras linhas, vê que fecham, e assina embaixo. Não é preguiça. É que ninguém tem tempo de conferir vinte mil parcelas na mão, e a diferença nunca está nas primeiras linhas.

Onde a diferença de comissão costuma se esconder?

Em seis lugares, e nenhum deles é fraude. São erros de processo, dos dois lados:

OndeO que acontece
Parcela que não veioA apólice tem 12 parcelas, o extrato traz 11. Ninguém percebe porque as 11 batem
Percentual aplicado erradoO contrato prevê um percentual, o sistema da seguradora usa outro — normalmente o antigo
Endosso não comissionadoO endosso aumentou o prêmio e a comissão do adicional não veio
Cancelamento com estorno a maisEstornaram o mês inteiro quando a apólice vigeu metade dele
Apólice paga em outra contaRepasse a produtor externo lançado sem a contrapartida na sua
Prêmio alterado sem avisoO prêmio mudou, a base de cálculo mudou junto, e ninguém comparou com o anterior

Note o padrão: todos são diferenças pequenas por apólice. É por isso que a amostragem não pega — ela testa se o extrato está certo, não se ele está completo.

Por que conferir por amostragem não funciona?

Porque a amostragem responde a pergunta errada.

Ela responde: "este extrato tem erro grosseiro?" A resposta quase sempre é não. A pergunta que importa é outra: "de tudo que eu tinha a receber neste mês, o que não chegou?" — e essa pergunta só pode ser respondida comparando a lista inteira do que era devido com a lista inteira do que foi pago.

É uma diferença de direção. A amostragem parte do extrato e confere para dentro. A conferência de verdade parte da sua carteira e confere para fora. Erro que some do extrato é invisível na primeira; é a única coisa que a segunda procura.

Como montar a conferência de comissão passo a passo

São sete passos. Os três primeiros são de estrutura e você faz uma vez; os quatro últimos são a rotina mensal.

  1. Cadastre a expectativa, não só a apólice. Cada apólice precisa gerar, no momento da emissão, as parcelas que você espera receber, com data e valor. Sem expectativa registrada não existe conferência — existe leitura de extrato.
  2. Registre o percentual por contrato, por ramo e por seguradora. É comum o mesmo ramo ter percentual diferente por operadora, e o contrato ser o único lugar onde isso está escrito.
  3. Padronize a chave de cruzamento. Número de apólice, CPF/CNPJ do segurado e competência. Se a chave muda a cada seguradora, a conferência vira trabalho manual de novo.
  4. Importe o extrato do mês assim que chegar. Não espere fechar o mês. Extrato parado é dinheiro que envelhece.
  5. Cruze e separe em três pilhas: bateu, veio diferente, não veio. Só as duas últimas geram trabalho.
  6. Abra ocorrência por item divergente, com o número da apólice, o valor esperado e o valor recebido. É esse texto que você manda para a seguradora — e é ele que faz a resposta vir rápido.
  7. Acompanhe até o acerto. Divergência sem prazo de retorno vira divergência esquecida.

O passo 1 é o que separa quem consegue conferir de quem não consegue. Tudo o mais é consequência dele.

Quanto tempo isso leva por mês?

Depende inteiramente de onde está a expectativa das parcelas.

Se ela está na cabeça de alguém ou numa planilha alimentada à mão, a conferência completa é inviável — e por isso a amostragem virou o padrão do mercado. Se ela está registrada no ato da emissão, o cruzamento é uma operação de máquina, e o trabalho humano passa a ser só o das divergências.

A mudança de escala é grande. Numa rodada de conferência numa carteira que operamos, o cruzamento passou por 22.770 parcelas. Nenhuma corretora faz isso no olho, e nenhuma precisa: o que sobra para uma pessoa olhar é a pilha das que não bateram.

Conferência de comissão é a mesma coisa que conciliação bancária?

Não, e confundir as duas é o que deixa buraco.

  • Conferência de comissão compara o que era devido com o que a seguradora declarou pagar. A fonte é o extrato de comissão.
  • Conciliação bancária compara o que foi declarado com o que efetivamente entrou na conta. A fonte é o extrato bancário.

Dá para o extrato de comissão estar perfeito e o dinheiro não ter entrado. Dá para o dinheiro ter entrado e estar a menos do que era devido. São dois controles, e uma corretora precisa dos dois — na ordem: primeiro a comissão, depois o banco.

O que o SEGGEST faz nessa parte

No SEGGEST, a expectativa de comissão nasce junto com a apólice: emitiu, as parcelas a receber já existem, com data, valor e percentual do contrato. Quando o extrato da operadora entra, o sistema cruza tudo e devolve só o que está divergente — o que bateu não ocupa a sua atenção.

A conciliação bancária é o passo seguinte, dentro do mesmo login: o financeiro é nativo, não é integração com outro sistema.

Quer ver na sua carteira? Traga dez apólices e um extrato para a demonstração. Você sai da conversa sabendo se a sua conferência por amostragem está deixando algo para trás.

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